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Os seis órgãos da Real Basílica de Mafra
15-05-2010 a 16-05-2010 - Real Basílica de Mafra

Os seis órgãos da Real Basílica de Mafra


Concerto histórico. Oportunidade única!

É um acontecimento aguardado há décadas. Quase dois séculos depois, após onze anos de trabalho no seu restauro, os seis órgãos da Basílica de Mafra vão tocar em conjunto.


O carácter único dos seis órgãos da Basílica do Palácio Nacional de Mafra deriva não apenas do seu número e dimensão – já de si excepcionais – mas sobretudo do facto de terem sido construídos simultaneamente e de terem sido concebidos desde o início como um todo. A maioria dos conjuntos de vários órgãos existentes em igrejas europeias resultou da adição sucessiva de vários instrumentos ao longo do tempo e não de uma concepção global prioritária.

 

No caso de Mafra, a disposição das tribunas da Capela-Mor e dos transeptos parece indiciar uma intenção original de colocar seis instrumentos na Basílica. No entanto, quando a igreja foi consagrada, em 1730, nenhum órgão teria sido ainda construído, visto que há notícia da importação de três órgãos portativos de Itália para a cerimónia. A primeira referência à presença de seis órgãos na Basílica é já posterior a 1750. Em 1760 encontramos uma descrição mais pormenorizada de seis instrumentos inacabados e a menção de um organeiro, o irlandês Eugene Nicholas Egan, contratado pelo rei D. José I. Até hoje não foi possível determinar se estes órgãos foram terminados, ou qual foi o seu destino, embora a investigação recentemente desenvolvida ao longo do processo de restauro tenha permitido esclarecer alguns aspectos referentes à inclusão de materiais mais antigos nos órgãos actuais.


Os instrumentos

Os seis órgãos que actualmente podemos admirar na Basílica de Mafra datam do período da regência de D. João VI e resultam primariamente de um trabalho desenvolvido pelos organeiros Joaquim António Peres Fontanes e António Xavier Machado e Cerveira a partir de 1792, data em que este último foi nomeado «Administrador dos Reais Órgãos de Mafra». Os trabalhos prosseguiram ao longo de mais de uma década, tendo os seis instrumentos sido sucessivamente concluídos (ou inaugurados) entre 1806 e 1807. Nesse mesmo ano, a primeira invasão francesa e o subsequente exílio da Família Real no Brasil interromperam drasticamente a actividade musical na Basílica e a utilização normal dos seis órgãos.


A partir da segunda década do século XIX, com a vitória definitiva sobre as tropas napoleónicas e o iminente regresso da Família Real, observou-se um aumento da actividade em torno dos órgãos de Mafra. Machado e Cerveira, que mantivera o cargo de Administrador, empreende uma campanha de renovação dos seis instrumentos. Todos os órgãos foram desmontados e sujeitos a intervenções que visaram a sua ampliação e adaptação a um ideal sonoro mais claramente pós-barroco (o processo de ampliação é particularmente evidente nos órgãos da Capela-Mor, originalmente muito menores do que os restantes). Esta intervenção de Machado e Cerveira nunca foi concluída, devido à sua morte em 1828 e às convulsões políticas que sucederam à morte de D. João VI em 1826 e que levariam ao eclodir de uma guerra civil que oporia liberais a absolutistas. Como consequência desta paragem dos trabalhos, o órgão de São Pedro de Alcântara (parede oriental do transepto Norte), entretanto desmontado, nunca chegaria a ser reconstruído. A extinção dos conventos e expropriação dos edifícios religiosos, determinada após a vitória definitiva da facção liberal em 1834, levaria, no caso de Mafra, ao fim da actividade musical e à degradação progressiva do estado dos órgãos da Basílica.


O restauro

A partir de finais do século XIX, mas sobretudo ao longo do século XX, os órgãos da Basílica de Mafra foram sujeitos a diversas intervenções que visaram permitir que alguns dos instrumentos voltassem a tocar. Estes trabalhos oscilaram entre a mera aplicação de ventiladores eléctricos (instalados pela firma João Sampaio e Filhos nos anos 1950) e intervenções mais profundas (como a realizada pelo organeiro António Simões no órgão da Epístola em 1989). No entanto, independentemente dos diferentes  graus de profundidade (e de qualidade), todos esses trabalhos foram pensados em função de um ou de outro instrumento, nunca considerando o conjunto como um todo.


Só na década de 1990 começou a ser equacionada a possibilidade do restauro integral dos seis órgãos. Para isto muito contribuiu a troca de ideias decorrente do Encontro Internacional de Órgão, realizado em Mafra em Dezembro de 1994, assim como a análise dos materiais do órgão desmontado de São Pedro de Alcântara, descobertos nas caves do Palácio e identificados pelo organeiro Dinarte Machado no ano anterior. Os trabalhos não se iniciariam antes de 1998, quando uma feliz parceria entre o Estado Português e um patrocinador privado (Barclays) pode viabilizar financeiramente o projecto. O trabalho foi confiado ao organeiro Dinarte Machado, dada a sua larga experiência em órgãos portugueses, especialmente da escola de António Xavier Machado e Cerveira e de Joaquim António Peres Fontanes.


Embora cada um dos órgãos tenha sido objecto de um trabalho separado, a noção de conjunto norteou a intervenção desde o início dos trabalhos. Foi criado um grupo de apoio científico que, juntamente com o organeiro e o consultor permanente, definiu as linhas mestras da acção de restauro e tomou as decisões mais cruciais ao longo do processo. A filosofia do restauro assentou fundamentalmente em dois pontos: a aceitação do resultado da segunda intervenção de Machado e Cerveira como estado de maturidade dos instrumentos e, sobretudo, a visão dos seis órgãos como uma unidade indivisível. Desta forma, o trabalho desenvolvido ao longo desta última década visou, para além do restauro integral e da reparação de falhas resultantes nomeadamente de algumas intervenções anteriores, a harmonização equilibrada do conjunto. Para o órgão de São Pedro de Alcântara, cujos materiais sobreviventes datam da sua construção em 1807 por Joaquim António Peres Fontanes, optou-se pela reconstrução segundo a factura de Fontanes nos finais do século XVIII (só possível pela já referida experiência do organeiro em instrumentos daquele construtor) dando embora especial atenção à fase de harmonização com vista a garantir a sua inserção no conjunto.


O período de doze anos, ao longo dos quais se arrastou o trabalho, parece curto se se tiver em conta as numerosas dificuldades que se colocaram à realização de uma tarefa desta magnitude. Para além de algumas circunstâncias imponderáveis (como as infiltrações provocadas pela forte pluviosidade dos últimos anos), a investigação avançou ao mesmo tempo que o próprio restauro, iluminando o caminho que se apresentava pela frente, mas também obrigando, muitas vezes, a alterações pontuais da orientação, as quais foram devidamente ponderadas nas reuniões do grupo de apoio científico. Este processo mostrou-se decisivo na definição da harmonização a aplicar aos seis órgãos: só com toda a informação proveniente da análise do material histórico dos instrumentos e com o auxílio da investigação documental, se pôde ter uma ideia mais nítida da sonoridade original do conjunto.


O repertório

A perspectiva da conclusão dos seis órgãos em 1807 levou a uma grande actividade composicional, dada a óbvia inexistência de repertório para tão inédita formação instrumental. Ainda se conserva actualmente (sobretudo na Biblioteca do Palácio de Mafra e na Biblioteca do Paço Ducal de Vila Viçosa) um número notável de obras destinadas aos seis órgãos, datadas, na sua maioria, de 1807. A Missa de João José Baldi para coro e seis órgãos – da qual se apresenta hoje o Gloria – foi escrita em 1807, provavelmente tendo em vista a inauguração dos dois órgãos da Capela-Mor (os dois últimos a serem concluídos) na festa de São Francisco em 4 de Outubro. A inclusão desta obra no presente concerto evoca a histórica função dos órgãos enquanto acompanhadores do coro dos frades, enquanto que a Sinfonia para a Real Basílica de Mafra de António Leal Moreira (escrita provavelmente em 1807), permite apreciar a sonoridade de conjunto dos seis órgãos, numa perspectiva puramente instrumental.  O arranjo para vozes masculinas e seis órgãos do hino gregoriano Ave maris stella foi concebido em função as capacidades espaciais da Basílica e explora as possibilidades de diálogo entre os diversos órgãos. O restante programa deste concerto apresenta individualmente cada um dos seis instrumentos através de uma série de obras que ilustra a evolução da escrita organística europeia, com especial incidência nos compositores portugueses dos séculos XVII a XIX. Os seis órgãos da Basílica de Mafra apresentam-se assim ao público, mais de duzentos anos após a sua construção, como um conjunto cuja qualidade e coesão foram recuperadas, e cuja versatilidade musical reflecte o génio das figuras cimeiras da organaria portuguesa que foram António Xavier Machado e Cerveira e Joaquim António Peres Fontanes.

 

 


Veja no site da Câmara Clara da RTP, a reportagem sobre o Concerto.

Conheça aqui o repertório do concerto.

 

 

 

João Vaz
 
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