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Concerto Ano Novo 2018 - Évora - 13 de Janeiro, Sábado, 18H00 - Sé Catedral de Évora
13-01-2018 - Sé Catedral de Évora

O Livro de São Vicente – Polifonia portuguesa tardo-quinhentista
 

O Livro de São Vicente é um livro de coro de grande formato que pertence actualmente ao acervo do Arquivo da Sé Pariarcal de Lisboa e que deve o seu nome ao facto de se conservar anteriormente na Igreja de São Vicente de Fora. O manuscrito em pergaminho foi concebido como um Ofício da Semana Santa para uso do Convento da Graça em Lisboa. Apesar de ter sofrido uma mutilação, perdendo mais de quarenta fólios, constitui presentemente um dos mais valiosos repositórios da polifonia portuguesa tardo-quinhentista, nomeadamente da obra de Frei António Carreira (c.1550/55-1599), eremita de Santo Agostinho que faleceu em Lisboa, no Convento da Graça. O Livro de São Vicente foi objecto de um estudo profundo e de uma transcrição integral por João Pedro d’Alvarenga. Várias obras nele contidas foram apresentadas em primeira audição moderna pela Capella Patriarchal, no âmbito dos concertos de Ano Novo do Patriarcado de Lisboa. O programa deste ano de 2018 reflecte a prática musical no final do século XVI no âmbito da liturgia do Domingo de Ramos e inclui a primeira execução moderna de algumas obras, como o Asperges me atribuído a Frei António Carreira.



Capella Patriarchal
 

Criado em 2006 e contando com diversas apresentações em Portugal, Espanha e Alemanha, este agrupamento é um projecto destinado fundamentalmente à divulgação dos tesouros da música sacra portuguesa. Apresenta frequentemente obras inéditas, pautando-se por um cuidadoso trabalho prévio de investigação das fontes musicais, assim como por um intenso esforço de observação das práticas interpretativas das diversas épocas. A presença do órgão na formação do grupo permite não só a interpretação das obras em que o instrumento executa uma parte obrigada ou simplesmente o baixo contínuo, como também o repertório mais antigo, seguindo a tradição da polifonia vocal acompanhada pelo órgão ou por outros instrumentos. Tendo origem no trabalho de João Vaz em relação à música de órgão portuguesa dos séculos XVI a XIX, através do estudo directo das fontes, aborda a música vocal, contando para isso com a colaboração de cantores especialmente dedicados a este tipo de repertório. A Capella Patriarchal gravou em CD os Responsórios de Quinta-Feira Santa e Missa Ferial de Frei Fernando de Almeida, assim como os Responsórios de Sexta-Feira Santa de Frei José Marques e Silva. Estas gravações foram as primeiras integralmente dedicadas aqueles compositores.
 


João Vaz
 

Natural de Lisboa, João Vaz é diplomado em Órgão pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou com Antoine Sibertin-Blanc, e pelo Conservatório Superior de Música de Aragão, em Saragoça, onde trabalhou com José Luis González Uriol, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. É também doutorado em Música e Musicologia pela Universidade de Évora, tendo defendido, sob a orientação de Rui Vieira Nery, uma tese sobre a música portuguesa para órgão no final do Antigo Regime. Tem mantido uma intensa actividade a nível internacional, quer como concertista, quer como docente, em cursos de aperfeiçoamento organístico. Efectuou mais de uma dezena de gravações discográficas a solo, salientando-se as efectuadas em órgãos históricos portugueses. As suas publicações incluem artigos que incidem sobretudo na música de tecla portuguesa. Lecciona actualmente Órgão na Escola Superior de Música de Lisboa, tendo também exercido funções docentes no Instituto Gregoriano de Lisboa, Universidade de Évora e Universidade Católica Portuguesa (Escola das Artes). É actualmente director artístico do Festival de Órgão da Madeira e das séries de concertos que se realizam nos seis órgãos da Basílica do Palácio Nacional de Mafra (de cujo restauro foi consultor permanente) e no órgão histórico da Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa (instrumento cuja titularidade assumiu em 1997).

 

Évora, Sé Catedral, 13 de Janeiro de 2018, 18h00
Lisboa, Igreja de São Vicente de Fora, 22 de Janeiro de 2018, 21h30

 

O LIVRO DE S. VICENTE
Polifonia portuguesa tardo-quinhentista



ANTÓNIO CARREIRA (a.1540-a.1597)
Sexti toni, fantasia a quatro
Quartus tonus, fantasia a quatro
Fantasia e Lá-Ré

[FR. ANTÓNIO CARREIRA] (c.1550/55-1599)
Asperges me                                   

CANTOCHÃO (Manuale processionum, 1596)
Hossana filio David                               
 
FR. ANTÓNIO CARREIRA
In monte Oliveti                               
 
CANTOCHÃO (Manuale processionum, 1596)
Pueri Hebraeorum portantes                           
 
FILIPE DE MAGALHÃES (c. 1571-1652)
Pueri Hebraeorum vestimenta                           
 
ANTÓNIO CARREIRA (a.1540-a.1597) / FR. ANTÓNIO CARREIRA
Gloria, laus, et honor                               
 
CANTOCHÃO (Manuale processionum, 1596)
Ingrediente Domino                               
 
FR. ANTÓNIO CARREIRA
Missa de Domingo de Ramos                           
Kyrie (alternado com cantochão)
Credo (alternado com cantochão)
Sanctus e Benedictus
Agnus Dei (alternado com cantochão)
Deo gratias (a 5)
 
[FR. ANTÓNIO CARREIRA]
Crux fidelis                                   
 

Capella Patriarchal
Mónica Santos, Mariana Moldão, sopranos
Carolina Figueiredo, contralto
João Rodrigues, tenor
Manuel Rebelo, baixo
João Vaz, órgão e direcção

 

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