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Catálogo > Livros > Projectos Especiais > Cartografia de Magalhães - Cartography of Magellan

Cartografia de Magalhães - Cartography of Magellan

Joaquim Alves Gaspar, Sima Krtalic

50,00 €

De míticas ilhas situadas em parte incerta das Índias até ao destino de muitos navegadores, militares, comerciantes, padres e meros aventureiros, algumas décadas depois, as Molucas rapidamente se tornaram conhecidas na Europa devido às suas fabulosas riquezas. Tão fabulosas, de facto, que a proposta de Fernão de Magalhães de atravessar metade do Mundo para as alcançar e monopolizar os seus recursos acabou por seduzir a Coroa Espanhola. Muitas narrativas textuais da circum-navegação sobreviveram, mas não menos importante é o testemunho registado na cartografia preparada antes e depois da missão. A viagem que esta obra propõe transporta o leitor para diferentes épocas e distantes partes do mundo. Embora escrito para um público não especializado, o livro propõe novas interpretações e revela os resultados de recentes exames realizados a manuscritos originais. Explorando a fronteira entre ciência e arte, a Cartografia de Magalhães conta a história da primeira volta ao mundo através de um privilegiado testemunho gráfico: a cartografia náutica.

 

 

From mythical islands located in an uncertain part of the Indies, to the destination of scores of navigators, soldiers, traders, priests, and mere adventurers only decades later, the Moluccas quickly became known in Europe for their fabulous riches. So fabulous, in fact, that a radical proposal to cross half the world along a to-be-discovered route seduced the Spanish Crown. Many textual narratives of the circumnavigation have survived, but no less important is the testimony recorded in the cartography prepared before and after the mission. The journey that this work proposes will transport the reader to different historical periods and far-flung regions of the world. While written for a non-specialist audience, the book likewise offers new interpretations and reveals the results of in situ examinations of original manuscripts. Probing the interface between science and art, the Cartography of Magellan tells the story of the first voyage around the world through a privileged graphical witness: nautical cartography.

 

Pormenor do Sueste Asiático, com as Molucas sobre o Equador. Note-se as diferentes cores da linha de costa, com partes a verde e outras deixadas em branco.
Detail of Southeast Asia with the Moluccas on the equator. Note the color-coding of the coasts, with some tinted green and others left blank.

 

 

Eram quatro os desafios que Magalhães se propunha vencer: encontrar uma passagem do Atlântico para o Pacífico; atravessar o Pacífico até às Molucas; comprovar que as cobiçadas ilhas se encontravam no hemisfério espanhol, de acordo com os termos do Tratado de Tordesilhas (1494); e, finalmente, regressar em segurança a Sevilha, atravessando o grande oceano de ocidente para oriente. Muito embora estes objectivos fossem ambiciosos, o conhecimento que se tinha então do mundo era incomparavelmente superior ao da época de Colombo. O regime dos ventos no Atlântico era bem conhecido, grande parte da costa do Brasil, até ao Rio da Prata, estava representado nas cartas náuticas, o Oceano Pacífico fora avistado alguns anos antes por Vasco Núnez de Balboa, e as águas do Sueste Asiático tinham já sido parcialmente cartografadas.
Em última análise, somente os dois primeiros objectivos foram alcançados, e Magalhães acabou por ser morto num conflito local, antes de desembarcar nas Molucas. Entretanto, observações astronómicas haviam sido realizadas pelo piloto e cosmógrafo Andrés de San Martín na ilha de Homonhon, nas Filipinas, as quais colocavam a região a norte das Molucas a mais de 180 graus para ocidente da linha divisória de Tordesilhas, isto é, no hemisfério português. Admitindo que Magalhães fez fé nas observações de San Martín, este facto inesperado deve ter sido devastador, uma vez que punha em causa o propósito fundamental da missão – a apropriação, pela Coroa Espanhola, do comércio das especiarias produzidas nas Molucas – e comprometia as suas próprias ambições pessoais. Por outro lado, a informação deve ter causado um enorme choque na sua honra pessoal, uma vez que Magalhães parecia genuinamente convencido de que as Molucas se situavam no hemisfério espanhol. A sua convicção sobre a matéria, explicada numa nota técnica dirigida ao rei, era suportada pela informação cartográfica portuguesa da época, em particular pelo magnífico planisfério desenhado por Jorge e Pedro Reinel em Sevilha, a fim de ser oferecido ao rei de Espanha.
Na realidade, as Molucas situavam-se no hemisfério português. A origem do erro de Magalhães encontrava-se nas técnicas de navegação e cartografia do século XVI, designadamente no facto de as cartas náuticas serem construídas como instrumentos de navegação e não como representações da geografia do mundo. Tal diferença de propósitos seria irrelevante, não fosse o facto de os dois modelos cartográficos – o das cartas náuticas e dos mapas geográficos – serem, então, geometricamente incompatíveis. Enquanto os mapas geográficos eram preparados com base nas coordenadas dos lugares – latitudes e longitudes –, as cartas náuticas eram construídas a partir dos rumos medidos com a bússola marítima (a agulha de marear, na designação portuguesa da época), das latitudes determinadas durante as viagens e das distâncias estimadas pelos pilotos. Acontece que as geometrias produzidas por um e pelo outro método eram distintas, e por vezes muito diferentes, sobretudo no que respeitava às longitudes aparentes dos lugares. Um caso significativo é a representação de África nas cartas náuticas da época, a qual aparece visivelmente deslocada para oriente, por efeito da declinação magnética nos rumos medidos com a agulha de marear. Esta distorção em longitude não afectava a utilização das cartas em navegação, uma vez que estas tinham sido construídas com base nesses mesmos rumos. No entanto, provocava um deslocamento para leste de todos os lugares situados no Oceano Índico e Sueste Asiático, incluindo as Molucas.

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There were four challenges that Magellan set out to overcome: finding a passage from the Atlantic to the Pacific; traversing the Pacific to the Moluccas; verifying that the coveted islands were in the Spanish hemisphere, as stipulated under the Treaty of Tordesillas (1494); and, finally, returning safely to Seville, re-crossing the Pacific from west to east. Although these goals were ambitious, knowledge of the world by 1517 was far superior to that of Columbus’s time. The wind regime in the Atlantic was well-known, much of the coast of Brazil, down to the Rio de la Plata, was represented on nautical charts, the Pacific Ocean had been sighted a few years earlier by Vasco Núnez de Balboa, and the waters of Southeast Asia had already been partially charted.
Ultimately, only the first two objectives were achieved, and Magellan himself was killed in a local conflict before even landing in the Moluccas. In the meantime, astronomical observations had been carried out by pilot and cosmographer Andrés de San Martín on the island of Homonhon in the Philippines, which placed the region to the north of the Moluccas more than 180 degrees west of the dividing line of Tordesillas – that is, in the Portuguese hemisphere. If Magellan trusted San Martín’s measurements, the unexpected news would have been devastating, since it called into question the very purpose of the mission (to validate Spanish claims to the Moluccas and their lucrative spice trade) and jeopardized the monetary windfall he had hoped for. It would have also been an enormous blow to Magellan’s honor, as he seemed, in his proposal to Charles I, to have sincerely believed that the Moluccas fell within the Spanish hemisphere. His views on this matter (which he explained in a technical note addressed to the King) were bolstered by contemporary Portuguese cartography, most notably the magnificent planisphere drawn by Jorge and Pedro Reinel in Seville to be offered to the Spanish monarch.
In truth, the Moluccas lay within the Portuguese hemisphere. The origin of Magellan’s error regarding the longitude of the islands is to be found in sixteenth-century navigational and cartographic techniques, and specifically, in the fact that nautical charts were constructed as navigational instruments and not as representations of the world’s geography. This distinction would be irrelevant were it not for the reality that the two cartographic models in question – nautical charts and geographic maps – were, by then, geometrically incompatible. While geographic maps were prepared using longitude and latitude coordinates, nautical charts were constructed with magnetic courses read off a maritime compass (then called the agulha de marear by Portuguese sailors), latitudes determined during the voyages, and distances estimated by pilots. These factors explain the differences in the ways the two genres represented the world, especially evident with respect to the apparent longitudes of places. The depiction of Africa in Early Modern nautical charts is a good case in point: because of the effect of magnetic declination on compass bearings, the continent seems to be displaced to the east. This longitudinal distortion did not hinder the use of charts in navigation, since they were based on the same uncorrected directions. However, the same phenomenon pushed all the places in the Indian Ocean and Southeast Asia, including the Moluccas, farther east.

 

Ano de edição: 2024

Formato: 24x31

Encadernação: Capa dura

Páginas: 256 páginas a cores

Classificação: Projectos Especiais

 

Cartografia de Magalhães - Cartography of Magellan

 
 
     
 

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