ARGVS é o novo trabalho de Luisa Amaro que vem reafirmar o universo original e fascinante da voz da guitarra portuguesa. Inspirada nas emoções clássicas mediterrâneas, a compositora faz, agora, um exercício histórico de harmonias diferentes e rompendo definitivamente com a formal tradição de tocar guitarra: sem dedos calejados, são as cordas sentimentalizadas que expressam afectos livres e únicos de um tempo sem tempo, nem género.meia volta no destino da identidade portuguesa. Torna sem sentido a tradicional vocação Atlântica do devir luso. Enredada na lírica greco-romana e no seu legado de culturas e de emoções, num exercício exploratório do mundo mediterrânico, Luisa cria, pelo som, memórias reiteradas no tempo e o sentido da essência do ser.
 
Confirmando a personalidade única da guitarra portuguesa, compondo diálogos  sussurrados e apenas entendidos, concede-lhe uma história sentimental única, feita de emoções experimentadas; tal com Argus, cego e harmonias diferentes e rompendo definitivamente com a formal tradição de tocar guitarra: sem dedos calejados, são as  cordas sentimentalizadas que expressam afectos livres e únicos de um tempo sem tempo, nem género.doente, enganando o fim numa espera tecida na esperança do regresso de Ulisses, a autora vai prolongando a melodia ora em claros sons , ora em toadas suaves desfrutando de harmonias diferentes e rompendo definitivamente com a formal tradição de tocar guitarra: sem dedos calejados, são as cordas sentimentalizadas que expressam afectos livres e únicos de um tempo sem tempo, nem género.
Na verdade este conjunto de melodias recoloca-se numa viagem de propósito bem definido, num tempo abstracto, num mar mediterrânico onde a espuma das vagas se concretiza em formas do imaginário epopeico grego: é um cavalo de batalha  ansioso na espera,  um tempo duradoiro consolidado em serenidade, incoerente na inquietação do regresso, um sinal da pertença do espaço e do ser. E ao longe, bem perto, divisa-se no som, em silhuetas do imaginário, Penélope desfazendo, às ocultas, o destino: aquilo que a guitarra cumpre, o piano reafirma e o clarinete baixo vai anunciando. Permitindo a permanência da  sempre chegada.
 
É, afinal o consolidar de uma aposta começada e em progresso, exigindo o melhor que as culturas da euroáfrica têm na contribuição de uma música em harmonia de emoções  cativantes, porque desencadeadas de forma inovadora da simbólica tradicional da guitarra portuguesa.
 
No mar/lago do mediterrâneo, de margens limitadas e definidas, percebe-se o desfazer das ondas  em murmúrios quase perceptíveis – ora é uma canção de embalar cuidando do adormecer das crianças, como Cacilda, ora é um lamento arrastado do crescimento cativo do tempo, como Desideri.
Xacaras vem  exaltar o amor, complexo e relacional, do bem querer e não saber, que necessita do corpo para exprimir-se em movimentos; Triantafylleni representa, na melodia, as fantasias do renascimento italiano na serenata: numa moldura de janela aberta ao infinito a jovem debruça-se ao toque físico da canção.
Num culminar do périplo, Cardaes expressa a universalidade no entretecer do sentir religioso e profano, coincidentemente descoberta na geografia clássica do sul.
 E é nesta melodia encantada conduzida pela guitarra genuína de Luisa Amaro que a voz de Kyriacoula Costantinou se integra em pleno, num prazer único de escuta, criando um universo curioso e original, crisálida inteira suspensa no seu encontro com o Belo.
 
Gabriela Carvalho
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Numa síntese breve, direi que, na lonjura do tempo, me revejo com a música numa mão e a carinhosa mão de minha mãe na outra, criança segura, confiante e feliz.
 
Gabriel Garcia Marques afirma que "A Vida não é a que cada um viveu, mas a que recorda para contá-la".
 
Talvez seja verdade. Talvez seja esse o facto que me leva a falar da minha infância como explicação da minha vida: mais do que vivi, interessa-me  o modo como vivi – e esse encontrou na infância, na família e nos valores em que cresci, a forma e a força que me definem e me permitem olhar a vida de forma sentida...
Escolhi ser música sem avaliar o que escolhia.
E descobri uma vocação muito exigente, que cumpro desde sempre.
Ao longo de todos estes anos de difícil equilíbrio, consegui continuar a tocar e a compor...
Gosto de tocar, nunca fiz outra coisa em toda a minha vida.
Acredito que a Vida sem sonho não é vida, não é coisa nenhuma: todos temos que sonhar, de forma a criar coisas novas. Se permanece na minha memória a mão da minha mãe, memória suave e doce, a pressão real e indispensável vem hoje das mãos do Luís, companheiro nos bons e maus momentos, dos meus amigos, da grande família que me ajuda a crescer, a ser e a continuar a Viagem, a "minha Odisseia", onde a guitarra portuguesa, contando histórias como só ela sabe contar, é a caravela que  desliza por este mar eterno de histórias e lendas...
 
Agradeço:
Em nome de todos os amigos de infância, à Paula Raposo, Rosarinho Marques e Paula Souto. Em nome dos amigos que fui fazendo na adolescência, à Ana Teresa Bourbon. Em nome dos amigos de Faculdade, à Ana Maria Pereira Pinto, Isabel Carvalho e José Luis Seixas. Em nome dos que foram chegando depois, a "essa grande família", Francisca Mota e Ana Júlia Marinho
Em nome dos amigos do Facebook, Olinda Rafael, Maria do Carmo Abreu e Ana Oliveira.
 
Ao Carlos Paredes, Jorge Gomes, Alexandre Bateiras, Maria Amélia Abreu, José Lopes e Silva. Aos irmãos Luís e Eduardo Barreiros, Rosalina Machado, Graça Sá- Fernandes, Gabriela Carvalho, Vitor de Sousa e Paulo Vieira.
 
E finalmente, aos meus pais,ao meu irmão, ao Luís, pilares fundamentais para ter chegado aqui, cumprindo a vida que escolhi.
 
Um bem-haja  sentido aos músicos que me ajudaram nesta "Odisseia": Gonçalo Lopes, António Eustáquio, Kyriacoula Constantinou, Enrico Bindocci , assim como ao Nelson Carvalho e Luís Nazaré Gomes.
 
Um agradecimento especial à Inês Correia de Matos, Beatriz Sampedro, Filipe Wellington, Paula Souto (Fotografia), Pedro e Lourdes Carvalho (Vídeo), Pedro Bacelar e João Pedro Cochofel.
À SPA, Pelo apoio logístico.
Ao Convento dos Cardaes a minha gratidão.
 
Luisa Amaro
 
 
Composição: Luisa Amaro
Músicos: 
Luisa Amaro: guitarra portuguesa 
Gonçalo Lopes: clarinetes 
Enrico Bindocci: piano e harmónio
Kyriacoula Constantinou: voz
Participação especial: António Eustáquio, guitolão
Arranjos para piano e voz: Enrico Bindocci
Edição e produção: Althum.com
Editor e produtor: Luís Nazaré Gomes
Gravação: Nelson Carvalho, nos estúdios Atlântico
Assistência de gravação: Rodrigo Balona e Zé Maria Sobral
Mistura e masterização: Nelson de Carvalho, nos estúdios Valentim de Carvalho
Fotografia: Beatriz Sampedro, Filipe Wellington, Inês Correia de Matos, Paula Souto
Grafismo: Pedro Bacelar Cerqueira
Edição de imagem: João Pedro Cochofel
Traduções: Maria do Carmo Abreu, Rossana Fiorella e Bettina Myers
Revisão: Frederico Carvalho
Produção Gráfica: Althum.com, Edições Especiais, Lda.
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Luisa Amaro
Argvs
Luisa Amaro
guitarra portuguesa,
composição
e interpretação
Gonçalo Lopes
clarinetes
Kyriacoula Constantinou
voz
Enrico Bindocci
piano
António Eustáquio, guitolão
ENGLISH
PORTUGUÊS
NOSTOS LUSITANO
Paolo Scarnecchia O CANTO MEDITERRÂNICO
Henrique Silveira  VERDE ESPERANÇA 
Cristina Drios ARGONAUTA 
DA MAGIA DOS SONS
José Jorge Letria UM REGRESSO 
A ÍTACA
Adalberto Alves UMA LENTA VIAGEM INTERIOR
Luís Osório